Foto: Álbum de família
Paulo César Benigno de Oliveira nasceu a 21 de dezembro de 1968, na cidade de Aracaju/SE. Seus pais: Vauflan Pereira de Oliveira e Elinísia Maria Nascimento Umbelino.
Seu pai foi detetive da Polícia Civil em Sergipe, na época em que o lendário Barreto Mota comandava a Segurança Pública. Faleceu aos 40 anos. Dele o filho aplica em vida a responsabilidade com a família e o gosto e dedicação pelos estudos. “Ele me incentivou e sempre me dizia para nunca largar os estudos. Sou o que sou, graças a ele”.
Para manter o sustento de seus quatro filhos, Vandelflan, Wefmey, Priscila e Paulo César, sua mãe passou a trabalhar no Bradesco na função de caixa. “Minha mãe é uma mulher guerreira e batalhadora. Embora tenha ficado viúva aos 38 anos de idade, assumiu a responsabilidade do lar e do trabalho no banco”.
Paulo César estudou nos colégios Dom José Thomaz, do professor Walquírio de Dona Bezinha, desde o 1º ano até a 8ª série. Depois estuda no então curso científico no Colégio Unificado - do 1º ao 2º ano. “O Dom José Thomaz foi uma família pra mim”.
Após fazer com sucesso concurso na Capitania dos Portos em Aracaju, ingressa na Marinha de Guerra do Brasil na Escola de Aprendizes de Marinheiro em Recife, onde faz um curso de preparação de um ano. “Nesse intervalo meu pai morre e eu fiquei entre a cruz e a espada. Ou seguia para o Rio de Janeiro e viajava de navio ou deixava minha mãe sozinha para criar três filhos. Optei por sair da Marinha e trabalhar para ajudar a minha mãe a ajudar meus irmãos”. Eu tinha 18 anos e já ia embarcar”.
De volta a Aracaju começa a trabalhar na farmácia do Sr. Jonas, no Mercado Municipal, após ser aprovado pela carta que fez para solicitar emprego. “Na farmácia trabalhei por quatro meses, pois minha mãe conseguiu que eu participasse de uma seleção de uma vaga no Bradesco, concorrendo com mais uma pessoa. Estudei através de apostila a contabilidade bancária. Passei e no Bradesco registrei dois anos de trabalho”.
Quando estava trabalhando no Bradesco, em momento de intervalo, dedica um tempo para o cursinho de vestibular no Unificado. Em seguida faz vestibular na Universidade Federal de Sergipe e sai aprovado no curso de Biologia em 1990.
Diz que a ideia de fazer Biologia foi graças a uma época em Aracaju em que os jovens acampavam muito e entre eles, seus amigos. “Acampavam na Serra de Itabaiana, acampavam em Itabí, na Pedra da Paciência, acampavam em Canindé e eu sempre estava com eles. Eu tinha uma moto RBV, barraca e tudo. Nisso fui descobrindo o amor pela natureza. Meu pai, minha mãe queriam que eu fosse médico, mas me apaixonei pela natureza”.
Como na época só existia curso diurno de Biologia, saí do Bradesco, pega o dinheiro da demissão, coloca na poupança e passa a viver de juros, que na época rendia 21%.
Faz o curso de Biologia na UFS e com a renda da poupança ajuda a despesa da casa. Daí surge o plano de Zélia Cardoso de Melo e Fernando Collor com o seu plano financeiro, quando foi retirado o dinheiro das poupanças das pessoas e com isso atrapalhou e muito a vida de Paulo Benigno. “Fiquei sem nada e para terminar o meu curso de Biologia, fui ministrar banca em casa para crianças até a 4ª série. Depois, uma colega minha chamada Dayse Rocha, me passou duas de suas turmas que ela estava dando aula no período da tarde no Colégio Sagrado Coração de Jesus, para que eu não deixasse o curso de Biologia na UFS. Daí dei aulas para alunos da 5ª e da 6ª série. Depois passei a ensinar no Colégio Nobel. Com isso pude concluir meu curso de Biologia com êxito em 1994 - no segundo período, colando grau em março de 1995.”
Conta que por oito anos ensinou no Colégio São Paulo, e que até a formatura em Biologia, sua caminhada foi árdua. Estudava as matérias do curso através de cópia, comia no bandejão do restaurante universitário do Campus, em São Cristóvão, e ia e voltada do campus da UFS a pé. “Morava no Condomínio Solares na Hermes Fontes”.
Antes de terminar o curso se inscreve na prova de mestrado e sai aprovado em 1º lugar “Ao término da sua formatura, parte para Recife, a fim de estudar o mestrado em Biologia Bacharelado na Universidade Federal de Pernambuco”.
Além da grana eu recebia pela bolsa de estudos, ensina em Recife curso pré-vestibular e participa de vários seminários. “Nesse período aparece o concurso do Estado de Sergipe para professores de Biologia. Me inscrevo e venho fazer o concurso em Aracaju em 1988. Fiz a prova e passei. Meu estágio probatório foi pelo período de dois anos. Na condição de professor no Colégio Felisbelo Freire, na cidade de Itaporanga. Logo depois fui passei a ensinar no Colégio Estadual da Barra dos Coqueiros. Depois no Colégio Estadual no Conjunto João Alves Filho em Socorro”.
Registra passagem pela antiga SEMA - Secretaria Estadual do Meio Ambiente que funcionava no Edifício Estado de Sergipe. “Fui coordenar o projeto de recuperação de matas ciliares do Estado. Na época, Antônio Carlos era o presidente da Sema. Em 1999 ocorre eleição e a Sema é dissolvida e eu fiz concurso para professor substituto da Universidade Federal de Sergipe onde fui professor por dois anos consecutivos, ensinando a disciplina Botânica Sistemática no curso de Biologia”.
“Encerra o contrato, abro a empresa de consultoria ambiental chamada Interação, em vista que estava havendo uma grande demanda em estudo do impacto ambiental. Abri a empresa junto com a minha sócia, a renomada professora Gilvane Viana Souza – hoje, aposentada. Trabalhamos com consultoria para a Cimesa, fábrica de cimento em Laranjeiras”.
“Depois fui para a Amazônia. Entrei na floresta, me juntei com os biólogos e depois de seis meses fui convidado pelo então secretário do Meio Ambiente Márcio Macedo, para assumir uma cadeira na Semarh – de coordenador técnico em uma unidade de conservação”.
“Hoje sou o coordenador técnico da APA Litoral Sul de Sergipe. Levo alunos da rede pública e particular de ensino para dar aulas práticas na natureza, que é um grande avanço, pois na minha época nenhum aluno tinha essa oportunidade a não ser pelos livros”.